Era manhã de inverno e sentia-se pela frescura da relva, das flores do canteiro e pela mole de terra mole do jardim lá fora na rua, amolecidas umas e outras pelo cacimbo da noite.
Acordei cheio de pressa e cheio de espaço vazio para preencher nos espaços vazios do carderno diário dos dias marcado com as margens previsíveis. Ainda me atrevi na chuva que caía, copiosa, como deus a dava.
Vi tragédias em ruas com outras flores de todas as cores da paleta impressionista, encontrei padres em crimes no alto de santo amaro que fugiam assim do seu desamparo.
De caminho fui pelo caminho de canaviais onde passaram outrora morgadinhas no estalar do seu verniz.
Na volta ao mundo de quase cem dias e de balão tiradas de cinco dias e outras tantas noites vi o que quis, o que imaginei e o não sonhado, tantas voltas qual jogador de vidas em fuga de um croupier que, sereno, recolhe a mesa, e recolhe-as umas cheias de nada, outras vazias de tudo.
Vi um mundo cruel, mescla de guerra e paz, verdadeiro auto de danados. E pelas bandas do casario intrincado de alfama bebi com o últimos dos cabalistas, o primeiro que me mostrou grafitis a rimar com mensagem e com o vibrar das guitarras em fundo de rio.
Era por fim comigo a causa das coisas na rua do mundo inteiro desembarcado no cais das colunas de jachim e boaz por tantas naus antes de nós, e tive a certeza que se trata de uma ilha misteriosa este onde, miseráveis e insubmissos, temos a sorte de poder transformar em vida maior a maior sorte da vida.
Sempre no fio da navalha, desconfio que não sou daqui, e não deve ser por acaso que sorte rima com eternidade e a orquestra ensaia pela partitura de genesis. Tudo me faz esta impressão.