Escrevo-vos hoje, dedicando-vos o tempo que merecem.
Como pessoas que prezo, gostava de vos dizer quanto vos estimo e porque vos estimo não queria deixar passar mais tempo sem vos dedicar um pouco do meu muito tempo. Que já é pouco.
Sempre que vos olhei pensei que pudessem ajudar-me. Um abuso.
Na vida cometi alguns erros. Alguns. Penso, ainda assim, que não tão graves nem com prejuizo para as pessoas. Bem, alguns seriam, mas sem impacto nas suas vidas. Nem tão sérios que não pudessem ser manobrados a tempo e no tempo, no rio da vida. Tratava-se de expectativas, apenas. Bem, as expectativas vistas de ambos os lados da barreira podem não ser exactamente coincidentes, tipicamente não o são.
Aprendi tarde de mais. De um lado, espera-se o dobro por metade. Do lado, o justo pelo justo. Mas deixem lá, afinal parece não ser assim tão relevante. E não é. Trata-se apenas de um transitório que, de tão breve, nem deveria doer.
Mas doi quando nos vira(va)m as costas. E, provavelmente por minha culpa, são alguns.
Com mais sorriso, com menos sorriso.
Com mais desculpa, com menos desculpa. Tantos telefonemas que fiz. Tantos, tantos, imensos, mails que enviei. Com tantos de vós com quem falei. Silêncio na linha, mesmo que em conversa animada. Quantos de vós já precisaram de enviar mail, de fazer telefonemas e de falar com pessoas. Aliás, com amigos. E com pessoas, das outras, também. Estas às vezes conseguem ouvir melhor do que os amigos que não ouvem.
Quantos de vós enviasteis mails a pedir socorro, mesmo que a palavra estivesse disfarçada de conheces alguém que precise, sabes de algum contacto que, ouvisteis de alguma oportunidade que. Quantos de vós. Dos que viraram as costas, alguns ainda me olham por vezes com olhares de quem se revê, mas a memória é selectiva em todos nós.
Cansei-me de esperar pelos amigos que podiam ter ajudado e não o fizeram. Simplesmente porque. Simplesmente porque.
Gostava de vos deixar um último presente, que no futuro será uma peça esquecida deste passado. Esta é a ode possível, que vos deixo.
Ode é a palavra dos mavros para rio. Rio odemira, de onde vejo correr a água que levará esta memória, rio odiana porta última antes dessas lágrimas se juntarem ao infinito mar azul, a caminho do início.
Penso que do outro lado afinal sempre me ajudam. A mim e a ti, mesmo que a antena que usamos esteja a captar tanto ruído branco que nem distingamos onde comutar para o outro satélite.
Do outro lado onde nos encontraremos, num destes dias. Inesperado, de surpresa.
E para sempre, mais coisa, menos coisa.
Não voltarão a ouvir falar de mim, não vos incomodarei mais pedindo a ajuda que não me puderam dar.
Até sempre. E, de qualquer forma, obrigado.